Com a queda da Selic, antecipação de recebíveis é alternativa para o caixa das empresas

 

Tesourarias estão buscando alternativas de investimentos rentáveis e sustentáveis para aplicação do dinheiro. Uma das opções têm sido transformar o departamento de ‘Contas a Pagar’ em um fundo de renda fixa

 

São Paulo, outubro de 2017 –  A redução da Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) para 8,25% ao ano está atingindo pessoas físicas e também o departamento financeiro das empresas. Antes era possível manter parte do patrimônio investido em fundos DI e obter retornos na casa dos 12% ao ano, atualmente não. Logo, se a Selic cair ainda mais como se espera os analistas, e alcançar 7% ao ano, ou seja (0,58% ao mês), o rendimento da caderneta de poupança passa a ser a 0,4%, sendo afetado igualmente.

A prática de antecipar recebíveis tem sido uma opção pelas empresas, considerando que spread bancário brasileiro é o maior do mundo. “Superamos países como Paraguai, Peru, Argentina, Austrália, África do Sul, México e Japão”, explica Camilo Telles, CEO e fundador do Antecipa, startup de tecnologia, que opera um marketplace de antecipação de recebíveis com o foco no caixa do sacado.

A plataforma conecta fornecedores e compradores no mercado, possibilitando rendimentos acima de 2% ao mês, o equivalente a uma aplicação de mais de 250% do CDI. Já tem mais de 300 empresas cadastradas utilizando o algoritmo e, até o fim de 2018, esperam fisgar mais de 10 mil clientes. A empresa acabou de receber um aporte de R$ 300 mil de investidores anjos e trabalha com um time de seis profissionais, entre analistas e desenvolvedores.

O objetivo é ser referência no mercado pela excelência na entrega de rentabilidade, bem como oferecer uma solução inteligente para equilibrar e democratizar as negociações financeiras de descontos de recebíveis, sem que haja perda de dinheiro. “Assim como as pessoas físicas, as tesourarias das grandes empresas estão buscando alternativas ao capital, tendo que trabalhar com um perfil de risco muito reduzido. Uma opção é transformar o departamento de Contas a Pagar em um fundo de renda fixa, e é exatamente isso que possibilitamos com a ferramenta”, afirma Telles.

Mercado e oportunidade

O executivo criou a plataforma para melhorar a eficiência na prática de antecipação, a partir da própria experiência ao dirigir uma empresa que vendia ingressos online. “Fomos os responsáveis em promover os principais eventos e shows do País. À medida em que crescíamos, notava o quanto era incipiente esse tipo de negociação, ou seja, não tinha uma fixação de taxa/valor. Logo, ambos os lados perdiam dinheiro ou apenas uma parte ganhava”, diz o empresário.

 

Com essa ideia em mente, Camilo demorou cerca de dois anos para desenvolver a ferramenta, após várias atualizações e aperfeiçoamento da tecnologia. Hoje, o negócio mira empresas com faturamento acima de R$ 300 milhões/ano. “Nossa solução permite que o comprador, aquele que tem a obrigação de honrar com o pagamento em alguma data futura, tenha retorno acima do CDI – um benchmark para investimentos em renda fixa – ou seja, ao realizar uma antecipação a uma taxa de 2,5%, isso representaria um desconto de que 300% do CDI. ”, explica Telles.

Como funciona

Com um tíquete médio de R$ 500,00 por operação de antecipação, a fórmula de cálculo em (algoritmo) dinamiza as taxas de juros ao fornecedor, ou seja, aquele que tem o direito a um recebível em alguma data futura, ao passo que aumenta o rendimento do caixa do comprador, resultando em uma operação ‘ganha-ganha’. “Vamos supor que a taxa negociada pelo comprador foi de 2,5% para fazer uma determinada antecipação, mas o fornecedor pesquisou e notou que a taxa poderia ser de até 4% em fontes alternativas (a exemplo banco). Logo, a taxa poderia ter sido maior e o comprador poderia ter obtido um retorno superior na operação. Por outro lado, se, por alguma razão, o fornecedor não aceitar o negócio, o dinheiro acabará parado no banco, rendendo 0,70% ao mês. Com a ferramenta de fixação de preços que a Antecipa lançou, a negociação poderia ter alcançado taxas acima de 3%, por exemplo”, diz Telles.

Com o uso da tecnologia, além de ajudar a suprir as necessidades de caixa – considerando o cenário econômico instável pela qual passa o País -, é possível usar o dinheiro para melhorar a infraestrutura e capacidade produtiva da empresa, para capital de giro, compra de matéria-prima, insumos, maquinário, estoque, frota, contratação de pessoas, investir em pesquisa e inovação, por exemplo.

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